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terça-feira, 27 de novembro de 2012

DIARIO DA RECUPERAÇÃO DAS QUEIMADURAS (aos 6 Meses)

Meu Querido Leitor e Amigo

Obrigada pelo seu interesse e contactos a perguntar como estou a recuperar.
Uso o blog para o informar que estou quase bem. :)
As pernas e braços no geral estão lindamente.  A zona de queimadura profunda, a que ficou encortiçada, sem sensibilidade e cuja pele teve de se reconstruir toda, é que ainda requer atençao.
Deixou na coxa uma mancha de cor variável; conforme tem mais ou menos sangue. Varia entre o roxo e um bege muito palido dependendo de se estou mais tempo em pé ou se tenho a perna em descanso apoiada em algo alto.
Se como bem e limpo noto uma recuperação mais rapida e sem incomodos. Quando como "asneiras"... :/ (mesmo apenas farinhas,  laticinios ou ovos) aparecem ardores e outras coisas desagradáveis.
Tambem tive de voltar a fazer mais exercicio, pois depois de tantos meses a mexer-me pouco apareceram disturbios estranhos nas articulações. Mas como não posso andar vestida muito tempo, ainda mais com roupa justa, faço, em casa, biciclete elitica e yoga.
Entretanto a "pele de queimadura" que cobria esta mancha vai desaparecendo.
Esta pele é muito fina, sensivel e pouco elastica. Assa facilmente com o contacto da roupa e doi, se devia contrair ou esticar conforme os movimentos que faço.
Felizmente está a ser substituida por pele branca, normal, flexivel. Com pêlos e poros.
Só a pele com pêlos, células mortas, poros, sebo e suor é funcional e agradável de usar. ;)
Antes a pele nova aparecia na orla da mancha. Ultimamente aparecem por todo o lado pontos brancos que se multiplicam e alastram em manchas de boa pele.
Porém já aprendi a não fazer planos para quando vou ter a pele toda boa e funcional.
Um médico disse-me que isto em geral dura um ano; a que se adiciona mais outro sem banhos de sol.
Pelo menos evitei hospitalizações, drogas, cirurgias e cicatrizes.
Em vez de ter custado um balúrdio em complicações nos hospitais ... estou a fazer tudo em casa, sem dores, sem drogas e sempre a tratar da minha vida como necessario.
O J., que é bom em contas além de que tem muita pratica de orçamentos e coisas afins, assegurou-me que nestes 6 meses nem 200€ gastamos com este acidente. E que o mais caro foi o tofu para os emplastros.
Entretanto continuo e escrever o diário do que vou fazendo. Mas notei que publicar e partilhar já esta aventura estava a perturbar a agregação de energia harmoniosa para que a cura perfeita aconteça.
Pronto. Já estão aqui as novidades todas.
Obrigada pelo seu interesse e pelo apoio que me tem dado.
Para si, amigo/a, um abraço cheio de gratidão :)




domingo, 26 de agosto de 2012

DIARIO DA RECUPERAÇÃO DAS QUEIMADURAS: 20º Dia









20º Dia:

8h 05m – Afinal o sabado em que isto aconteceu era dia X e não Y. Estamos na 3ª semana. Ainda bem que existem os dias da semana além dos do mes para termos uma 2ª referencia. Acertei no sabado.
Incrivel verificar como isto todo me perturbou tambem a nivel não fisico. Nunca na vida me tinha sentido mentalmente cansada.
Hoje ao acordar encontrei alivio quando apoiei a cara na outra face da almofada. Tem uma superficie toda em piramides de espuma. Bizarrias de experiencias que estou a ter.
Estou a elevar os quadriz por causa do desagradavel que é continuar com eles apoiados. Tenho é de sair da cama e ir reclinar-me nas almofadas na zona onde costumo fazer yoga. Mas antes tenho de ir retirar as compressas secas e coladas pelos mucos. Molho-as com o duche fraco e espero que se soltem. Tenho tempo e paciencia para tudo. Viver o presente e na vida só nos acontecem coisas boas. 
E ver se escrevo. Alem deste diario. Preciso acabar de rever o romance “Alice na Revolução”. A editora no ano passado fez-me algumas sugestões. Estive mais de um ano a trabalhar sobre elas. E o romance melhorou muito. Logo que acabar de o rever mando-o logo para a editora.
É tão dificil parar de acrescentar detalhes, notas de rodapé e episodios. Tanta gente que me vai contando como viveram aqueles tempos. Aquela época da revolução de 1974 em Lisboa tem tantas histórias que precisam ser contadas. Tão divertidas. Tão paradoxais.
O Dan Brown diz que

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DIARIO DA RECUPERAÇÃO DAS QUEIMADURAS: 14º Dia


14º Dia:
00h 04m – Acordei incomodadissima com a forte luz que vinha lá de fora. Deixaram uma lampada muito forte acesa frente à janela do escritorio. Vou ter de ir lá fora apaga-la. 
Ai... custa tanto por o pé no chão.
Parece que me estão a arrancar a pele na orla da lesão. Vou mas é acender a luz da secretária para ver o que é. Isto de ter ficado a dormir no sofá do escritório acabou por me criar problemas logisticos. As almofadas são demasiado moles e afundo-me. Achava-o muito cómodo e até vinha dormir para aqui por gosto. Mas depois de tantos dias incomoda. Estou é muito perto do duche e como passo a vida a duchar a perna, faz jeito.
Quando eu era adolescente fartei-me de fazer experiencias sobre tudo. A mãe deixava pois eram estranhas mas quanto mal nunca pior dizia conformada
Uma delas foi testar porque se havia de fazer a cama de forma tão complicada. Então mandei tirar o colchao da cama (ficou meses encostado à parede ao lado do guarda fatos) e fazia a cama apenas com mantas em cima do enxergão de palha muito duro. Durante muito tempo resultou. Quando estava na cama apenas as normais 8h de sono. 
Porem adoeci

segunda-feira, 16 de julho de 2012

DIARIO DA RECUPERAÇÃO DAS QUEIMADURAS. 4º Dia



  • Os emplastros variam ao longo do dia.
    Este tambem tem argila.
  • Abaixo podem-se ver as gotas de linfa a sairem das bolhas pelo efeito de retracção da clara de ovo ao secar.
  • Na outra foto vemos as fatias de tofu que tanto me aliviam. E que alterno com os emplastros, que sujam tudo e tem de se mudar a roupa e é uma trabalheira constante.
  • Na 4ª foto vemos as duas feridinhas que fiz com a mania das limpezas. Arranquei uns bocadinhos de emplastro que estavam agarrados à pele, com este lindo resultado. Não volto a fazer. Aprendi a respeitar mais o meu corpo, a sua sabedoria e as coisas como estão. Pois como dizia a mãe do Luis Silva o que está feito está bem feito.




4º Dia:

6h- Desatei agora a comer folhas de alface. Tudo isto tem a ver com o figado e vesicula. E as folhas verdes apaziguam, refrescam e regeneram.
Esqueci-me do amaroli esta manhã. Bebi com muito gosto um copo grande de agua de argila.
Ontem antes de dormir pus clara de ovo e oleo na perna e na gaze dos pensos.
Estive a falar ao telefone com o Jacinto Vieira. Ficou contente com o que lhe contei.
Tambem falei ao Luis Silva. Ficou perplexo com as melhoras sem hospital.
 ...
Estou a ficar farta dos flocos secos em que se desfaz o emplastro. Já me arranham.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

DIARIO DA RECUPERAÇÃO DAS QUEIMADURAS. 2º Dia



Na foto vemos a coxa esquerda onde cada vez se tem notado mais o percurso do azeite a ferver.
Vemos tambem as bolhas gigantes e os restos de emplastros que ficaram agarrados. Os quais acho mais prudente deixar ficar. Tentei com a agua do duche e não sairam... portanto eles lá sabem.  


2º Dia:
Parece-me ter tido melhoras muito rápidas.
Consegui dormir alguns bocados. E até estar de mão dada com o meu amor.
Comecei a noite com um gorro de pura lã enfiado na cabeça alem da camisola de felpa e os dois casacos. Tapei-me com um plaid. Mas as franjas “arranhavam” a pele em cura. O edredão é muito melhor. Apesar de o folho de bordado ingles tambem dá a sensação de arranhar a pele.
A perna esquerda tem de estar sempre frente ao ventilador e com sprayzadas de água. Ficou com espasmos sempre que algo não estivesse bem. Já estou farta de tanto frio mas sem ele tudo queima.
À perna direita consigo mante-la tapada. Apenas o pé precisa ficar de fora pois com o calor do edredão também arde.
Tenho bebido apenas chá de 3 anos com kombu e agar-agar. Para manter o intestino limpo apesar de estar a fazer jejum sem grande preparação.
Comi apenas 2 galetes de arroz bio da Provida.
...
Fiz novo emplastro frio:

quarta-feira, 11 de julho de 2012

DIARIO DA RECUPERAÇÃO DAS QUEIMADURAS: 1º DIA



Na foto vemos a zona de queimadura profunda na coxa. É o maior desafio que nos está a ser posto. Evitar cicatrizes, regenerar uma pele perfeita com poros e pelinhos louros. Como tal elastica e flexivel. Ou seja funcional.
Prescindindo do enxerto que é o tratamento hospitalar convencional.
Vamos ver o que conseguimos.


Este texto assim como os seguintes, são a transcrição dos apontamentos em papel, que fui tomando a partir do dia do acidente:





1º Dia:

Depois de um almoço pic-nic de “jaquinzinhos” fritos, decidi fritar tambem um resto de batatas esquecidas há meses e as fatias de pão que tinham sobejado. Desligamos a fritadeira.
Ficamos a conversar. O J, eu e a Vanessa Rodriguez. A simpatica voluntária californiana que estuda Historia e Ciencias Políticas na universidade de Berkeley. Veio passar uma temporada a estudar em Espanha e decidiu conhecer tambem Portugal.
Eu estava sentada num dos bancos de alvenaria encostados aos pilares do telheiro. Ao meu lado uma mesinha. Tinha ainda a fritadeira em cima.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ainda sobre o meu Acidente com Azeite a Ferver

Meus queridos leitores
Lamento não ser diariamente assidua à net para lhe contar desta aventura; mas como deve entender por vezes não tenho energias nem disposição para vir aqui escrever.
Prometo que sempre que puder venho aqui transcrever os apontamentos diários, à mão e em papel, que tenho feito sobre a evolução do meu corpo, mais ou menos fisico. ;-)

domingo, 1 de julho de 2012

Uns 2,5l de Azeite a Ferver ou como Sobreviver Hoje nas Guerras de "Moros y Cristianos"

tem uma fabrica de tofu e afins aqui peNesta imagem vemos os meus joelhos.
Um com ligadura pois só tinha salpicos e uma queimadura do 1º grau.
O outro com o primeiro emplastro feito, de tofu e plantas verdes.


********


Há dias aconteceu-me o acidente pior da minha vida...
Um grande desafio. Um sinal muito importante para na minha vida eu mudar algo urgentemente.
Nas guerras, mediterranicas e mesmo por aqui na beira do Atlantico,  passavam a vida a deitar azeite a ferver por cima dos invasores. Garanto-lhe hoje, com pleno conhecimento de causa, que é uma arma terrível!
A californiana Vanessa, uma voluntária daquelas que passam temporadas em minha casa para "aprender a viver de forma mais ecologica", deu um encontrão numa fritadeira e entornou a maior parte do azeite em cima de mim.
Tinhamos estado a trabalhar a 175ºC. Tendo acabado, uns 5m antes, de fritar batatas e fatias de pão.
Quando tomei consciencia do que me tinha acontecido decidi saltar para dentro de um lago, que estava a uns 3m de mim.
Sendo a prioridade num caso destes parar a cozedura dos tecidos vivos,

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O meu CV

Parece-me ser um bocado estranho colocar o nosso CV num blog. Eu, pelo menos, nunca vi tal em lugar algum.
Contudo decidi fazê-lo devido a inumeráveis confusões, as quais se exacerbaram nos últimos tempos, acerca do meu percurso e multidisciplinaridade.
(Será esta mais uma das minhas atitudes pioneiras?
Se souber mais que eu neste campo informe-me, pois estou mesmo curiosa.)
Eu, como toda a gente, sou ilimitadas possibilidades. Portanto eu, tal como o meu caro leitor, sou o que "Eu Sou", mas vamos ver o que se pode explicar em poucas palavras: paralelamente ao meu percurso de alta visibilidade na moda e na escrita nos mass media, etc. fui estudando, com perseverança, assuntos pelos quais tenho grande curiosidade.
Um amigo classificou-me como Polimata outro como Artista Eclética (pintura e outras intervenções estéticas, escritora, modelo, atriz, entre outras) e Filósofa da Natureza (cura, permacultura, filosofia, etc) . Mas também são classificações que deixam muitos espaços em branco. Ao fim ao cabo o grande problema está em se pretender definir um qualquer ser humano, que é lindo e infinito, através de uma qualquer profissão limitada e definida.
E já agora informo que vejo afinidade entre todas estas áreas, a que me dediquei.
Como é típico de sobredotados, pessoas naturalmente curiosas e perseverantes, em grande parte dos casos iniciei-me como autodidata e só mais tarde encontrei grupos pioneiros de pessoas que partilhavam as minhas buscas.
Mostro uma versão de um curriculum vitae que uma grande amiga minha, Heidi, me ajudou a elaborar. Pareceu-nos a adequada aos anos mais recentes.
Pois, aqui que ninguém nos ouve, também já ando farta de ter dificuldades para explicar que os pioneiros e visionários não vão para uma escola estudar o que lhes mandam e pronto.
Além de que a pessoas automotivadas, curiosas e perseverantes, poucas escolas se adaptam. Aprendemos muito depressa e apaixonadamente. Demasiado depressa para a maioria das escolas.
Quando comecei a interessar-me por estas coisas, nem sequer existiam escolas. As quais foram criadas só recentemente, pelos então meus colegas