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domingo, 26 de agosto de 2012

DIARIO DA RECUPERAÇÃO DAS QUEIMADURAS: 20º Dia









20º Dia:

8h 05m – Afinal o sabado em que isto aconteceu era dia X e não Y. Estamos na 3ª semana. Ainda bem que existem os dias da semana além dos do mes para termos uma 2ª referencia. Acertei no sabado.
Incrivel verificar como isto todo me perturbou tambem a nivel não fisico. Nunca na vida me tinha sentido mentalmente cansada.
Hoje ao acordar encontrei alivio quando apoiei a cara na outra face da almofada. Tem uma superficie toda em piramides de espuma. Bizarrias de experiencias que estou a ter.
Estou a elevar os quadriz por causa do desagradavel que é continuar com eles apoiados. Tenho é de sair da cama e ir reclinar-me nas almofadas na zona onde costumo fazer yoga. Mas antes tenho de ir retirar as compressas secas e coladas pelos mucos. Molho-as com o duche fraco e espero que se soltem. Tenho tempo e paciencia para tudo. Viver o presente e na vida só nos acontecem coisas boas. 
E ver se escrevo. Alem deste diario. Preciso acabar de rever o romance “Alice na Revolução”. A editora no ano passado fez-me algumas sugestões. Estive mais de um ano a trabalhar sobre elas. E o romance melhorou muito. Logo que acabar de o rever mando-o logo para a editora.
É tão dificil parar de acrescentar detalhes, notas de rodapé e episodios. Tanta gente que me vai contando como viveram aqueles tempos. Aquela época da revolução de 1974 em Lisboa tem tantas histórias que precisam ser contadas. Tão divertidas. Tão paradoxais.
O Dan Brown diz que um livro só está acabado quando a editora no lo tira da mão. Se não o escritor nunca o daria por acabado.
Ainda bem que este livro não foi editado em 2011 como estava programado pela outra editora. Com estas modificações ficou muito melhor. Estou contente com o trabalho feito.

10h 12m – Fui ao wc, bebi um copo de agua de argila com a mesma grande vontade de sempre. Engoli tres comprimidos de levedura de cerveja mais outros tres de carvão activado para limpar toxinas, e... devia começar a fazer o emplastro de tofu... mas só quando me apetecer pois o corpo é que sabe.
Afinal tomei enxofre uma unica vez. Já não me atrai. O meu corpo é que sabe. E isto está tudo a correr muito bem. Apesar de a perna parecer um pastel de Tentugal com folhado finissimo e a minha coxa me fazer pensar em Leitão da Bairrada cada vez que a olho...
O antebraço direito já não tem sinais alguns da queimadura. Pelou toda a escura pele frita e só tem a nova. Branca e normal. Basta ter cuidado para que não apanhe sol. Uma vez, no Algarve, não tive cuidado depois de esfolar os joelhos. Andava na praia sem proteger a pele nova. Fiquei com manchas castanhas escuras uns 20 anos.
Estou toda contente tambem porque descobri pelinhos na pele nova da perna!
Nunca pensei olhar com tanta alegria os meus pelos a crescerem. Significam filme hidro-lipidico. Ou seja uma pele bonita e confortável, que não repuxa.
Só falta crescerem pelos na da coxa. Toca a iniciar os emplastros diários de tofu.

23h – Por volta das 17h comecei a operação emplastros de tofu nos doidois da coxa. Zona de queimadura profunda. Um grande desafio. Digno de portugueses. ;-) A quem só interessa fazer o impossivel.
Em todos os livros que consultei recomendam usar apenas fibras naturais sobre as lesões; porem nas farmácias impingiram ao J uns rolos de ligaduras com 20 ou 30% de fibras sinteticas. As de percentagens maiores ele recusou-as. Aquilo só deve ser usavel por gente muito sedada. Começam logo a arder passado um bocado. Bem eu é que fico com a sensação de queimadura pouco depois de as colocar. Como não me quero pastilhar tenho de as tirar e deixo de ter ardor.
Dispus o tofu aos bocados e segurei-os com as ligaduras antigas com a risca encarnada e feitas em 100% algodão e que nas farmácias dizem que já se não fabricam. Elasticas, lavaveis e muito agradáveis.
A seguir fui para a zona de Yoga e revi um bocado bom do romance.
Estava cheia de frio mas o emplastro emanava calor e sentia-se na mão mesmo com ela mantida aberta a uns 10cm de distancia da ligadura.
Até o tofu estava quente. Só arrefeceu cerca das 22h.
Estive tapada com uma daquelas mantinhas de polar. Ou seja feita de garrafas recicladas. Uma ponta dela tapou inadvertidamente o emplastro e reparei nisso porque fiquei logo com a tal sensação de queimadura a arder. Ui! Fibras artificiais :-/
Tive de enfiar um gorro de lã na cabeça, peugas de lã dos pastores da serra da Estrela nos pés e sempre bem tapada no tronco. Eu a gelar e a coxa a emanar calor. Bizarro. Mas o corpo lá sabe da vida dele. Temos mesmo uns corpos de grande qualidade. E boa capacidade de regeneração.
Apetece-me tirar o emplastro. Cheira a acido. Desde as 5 da tarde até à meia noite com o emplastro. Deve chegar por hoje. Assim que para de escrever no diario vou para a banheira retira-lo e ver como ficaram os doidois.
Hoje bebi cha de 3 anos, usei o concentrado de ume e comi apenas sementes e algas em nugah. O corpo é que sabe. A água que me apetece é a de argila. Tenho 2 frascos para a ter sempre limpida.
Agora é que vou descer retirar isto e lavar a coxa.

1 comentário:

  1. Parabéns pela sua força e coragem e muitos dos ensinamentos sobre amor e resistência.

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